Quem foi São José: história e missão
17.Abril.2022

São José, o maior santo da história depois de Maria, é exemplo de fidelidade, cuidado e simplicidade. Por meio dele, Deus cumpre a história de salvação da humanidade
Afinal, São José é santo do que?! O patrono universal da Igreja Católica, padroeiro dos trabalhadores e protetor das famílias é fonte de exemplo e inspiração para seus devotos e devotas no mundo inteiro. Com tantas referências, a história de São José também revela porque ele é considerado o maior de todos os santos.
A imagem de um homem simples e cuidadoso, segurando o menino Jesus no colo está estampada em camisetas, presente nas igrejas e na memória coletiva dos cristãos. Mas qual foi a missão deste homem tão discreto e silencioso?
Toda a grandeza de José vem da sua pureza, sabedoria e simplicidade. Diante de tantas virtudes Deus não encontrou, em toda a História, ninguém melhor neste mundo para assumir a tarefa de proteger a Sagrada Família e cumprir o projeto divino para toda a humanidade.
São José e a história da salvação
Natural da Galileia, descendente da casa real de Davi, maior rei de Israel, e carpinteiro de profissão, ele era um homem virtuoso, que executava com responsabilidade todas as tarefas que lhe eram delegadas. Na narrativa bíblica, ele é definido como um homem justo (Mt. 1,19) e sua história está vinculada ao início da história do cristianismo.
Esposo de Maria e pai de Jesus na Terra, José participou de importantes acontecimentos da história da salvação. Ele esteve presente no nascimento do menino, em Belém, na apresentação de Jesus no templo e na peregrinação a Jerusalém, juntamente com Maria e seu filho adotivo, quando esse tinha a idade de 12 anos.
É importante dizer que José foi um judeu praticante e seguia todos os ritos religiosos: ele consagrou o menino Jesus no templo, logo após o seu nascimento, e fazia a peregrinação à Jerusalém na época da Páscoa, levando consigo sua família.
A Deus, o santo obedecia prontamente, sendo conduzido por Ele em todos os momentos, principalmente enquanto dormia.
Quatro são os sonhos de São José relatados no Evangelho de Mateus. Eles são o fio condutor da narrativa da Sagrada Família e são muito importantes segundo a visão teológica, pois mostram a forma como Deus se comunicava com ele. Dessa forma, seus sonhos são uma expressão de transcendência, que mostram a santidade e a bondade de José.
A história, a missão e a devoção ao santo são, inclusive, um objeto de estudo dentro da Teologia. Conhecida como Josefologia é uma área dedicada ao estudo teológico de São José.
O estudo que analisa a Sagrada Escritura, a tradição e o ministério da Igreja Católica foi iniciado pela Congregação Oblatos de São José, sendo também uma forma de evangelização, que espalha a devoção josefina mundo afora.
Quatro sonhos de José
No primeiro sonho, o anjo do senhor diz ao santo para não ter medo de acolher Maria como esposa, pois o filho que ela carregava no ventre era fruto da ação do Espírito Santo.
Narrada em Mateus 1, 20-21, essa passagem traz o ponto de partida da história da Sagrada Família. Após a revelação, que trouxe paz ao coração do pai adotivo de Jesus, ele acorda, acolhe a vontade divina e faz tudo conforme o anjo lhe ordenou.
No segundo, descrito em Mateus 2, 13, José recebe a orientação para fugir com sua família para o Egito e por lá ficar até a morte de Herodes. Mais uma vez ele é conduzido por Deus e, assim, o menino Jesus fica em segurança, longe da crueldade humana.
O terceiro é revelado em Mateus 2, 20, quando o anjo pede ao patriarca para que tome o menino, sua mãe e assim retornem a Israel.
Porém, no meio do caminho, quando tomou conhecimento de que o filho de Herodes, Arquelau, reinava na região, José recebeu, em sonho, um aviso para mudar a rota e seguir para a região da Galileia, na cidade de Nazaré. Esse trecho pode ser lido em Mateus 2,22.
Toda essa mística dos sonhos de José nos traz uma profunda lição. Deus age em nós quando estamos descansando, ou seja, abertos à providência Dele. É comum que passemos por problemas e dificuldades ao longo da vida. Sentir-se vulnerável é da natureza humana, mas a santidade de José está em confiar a Deus a solução dos seus problemas.
Quando abrimos mão do controle e deixamos o nosso coração aberto, é o Senhor quem conduz e cumpre sua providência.
Assim como mudou a rota de José, Deus também tem o poder de mudar o caminho, quando for para o nosso bem.
Protetor da Sagrada Família
Apesar da vida simples, José e Maria enfrentaram diversas dificuldades antes mesmo do nascimento de Jesus. E isso fica nítido nas passagens anteriormente descritas, quando eles saem em fuga para o Egito. Naquela ocasião, o rei Herodes, por temer a vinda do Messias, manda matar todos os meninos nascidos naquele período.
Prontamente, José segue as ordens de Deus e dedica toda sua vida à Maria e a Jesus. Coube a ele, a guarda e proteção da mãe de Deus e do Messias, além da educação do menino que, mais tarde, aprenderia o ofício de seu pai adotivo.
Assim como protegeu a Sagrada Família, São José também intercede pelas famílias do mundo inteiro. Como santo, ele protege os seus devotos de todo o mal, intercedendo junto a Deus pelas nossas intenções.
Padroeiro dos Trabalhadores
O santo ainda é considerado o padroeiro dos trabalhadores por ter dedicado à sua vida ao sustento da família. Com o suor do seu trabalho, José nada deixava faltar em seu lar. Em razão disso, ele é associado aos operários e trabalhadores braçais que dignificam suas vidas por meio do trabalho.
Um fato curioso em sua biografia é que José de Nazaré não deixou nenhum manuscrito. Apesar de toda essa discrição, os teólogos dedicados ao assunto compreendem que ele não era um santo que brilhava aos olhos da sociedade, mas sim aos olhos de Deus.
As referências ao santo ficaram ainda mais evidentes ao longo da história, foram temas de diversos documentos pontifícios e, no século XX, o papa Pio XII instituiu a festa de São José Operário, celebrada anualmente no dia 1º de maio.

Por essa razão, o santo é homenageado duas vezes ao ano: no Dia Internacional do Trabalho, abrindo o mês de maio e, também, na Solenidade de São José, comemorada no dia 19 de março. Essa data foi oficializada pelo papa Gregório XV no ano de 1621. Vale ressaltar que o santo também é lembrado no Natal do Senhor e na Festa da Sagrada Família, no dia 30 de dezembro.
Patrono da Igreja Católica
No século XIX, no dia 8 de dezembro de 1870, o papa Pio IX proclamou São José como patrono universal da Igreja Católica. É de autoria dele, a famosa reflexão de que depois da Virgem Maria, o pai terreno de Jesus é o maior santo de todos os tempos.
Diversos papas, ao longo da história, escreveram documentos e recomendaram a devoção a São José. Suas virtudes como pai e esposo foram elogiadas por Leão XIII e João XXIII declarou o santo como protetor do Concílio Vaticano II.
Também foi dele a inciativa de colocar o nome de São José no Cânon Romano, uma das orações eucarísticas feitas durante a missa. Por ser a mais antiga, era rezada em Latim e cita o nome o nome dos apóstolos, mártires, além dos primeiros santos da Igreja Católica.
Os acontecimentos históricos também receberam a intercessão do protetor da Igreja. Ao olhar para os mortos e feridos da I Guerra Mundial, o papa Bento XV sugeriu ao mundo que recorresse ao pai de Jesus como um alento e socorro espiritual.

Fontes bibliográficas
Trazendo a reflexão para um contexto mais recente, é de autoria de São João Paulo II um dos documentos mais importantes escritos sobre o santo: a exortação apostólica intitulada Redemptoris Custos, que descreve sobre a missão do santo na vida de Jesus Cristo e da Igreja Católica.
Analisando passagens importantes dos Evangelhos, João Paulo II faz uma reflexão teológica profunda, que nos ajuda a compreender a grandeza da história de José. Desse modo, a exortação é uma relevante fonte bibliográfica para quem almeja aprofundar seus conhecimentos sobre o santo.
Bento XVI também teve um papel importante ao sugerir a inclusão do nome de São José no Missal Romano, depois do Concílio, incluindo-o em três orações eucarísticas. Essa introdução foi sancionada pelo papa Francisco.
Outro acontecimento importante e que mostra o empenho da Igreja Católica em promover o culto ao santo foi o Ano especial de São José, celebrado de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021.
Proclamado pelo papa Franciso, o Ano de São José ocorreu no contexto do 150º aniversário da declaração de José como patrono da Igreja.
O santo também motivou o tema da carta apostólica Patris Corde, escrita pelo santo padre, que mostra a missão de São José e faz uma meditação sobre sua bondade, ternura, obediência, acolhimento, coragem, dedicação ao trabalho e figura paterna.
Devoção do Papa Francisco
Entre tantos devotos, São José tem um admirador contemporâneo muito especial, que é ninguém menos que o Pastor da nossa Igreja: o papa Francisco.
O pontífice já relatou, em diversas entrevistas, que tem a imagem do santo dormindo em seu escritório. Ele também confessou um gesto genuíno de devoção, que costuma praticar em situações de tribulação. Quando o santo padre passa por algum problema, ele escreve a prece em um bilhetinho e deixa o pedido abaixo da imagem a fim de que São José sonhe e interceda por aquela intenção.
Essa devoção do pontífice reforça a entrega de José à vontade divina: em um mundo “barulhento”, onde as pessoas buscam cada vez mais expressar a sua voz, o santo ensina a arte do silêncio.
Só conseguimos escutar Deus quando silenciamos nosso coração. É por meio do silêncio que acolhemos a voz do Senhor, refletimos sobre ela e, depois, agimos com o discernimento e a sabedoria necessária para promover uma ação transformadora.
Santo dos santos
Além do papa, diversos santos que marcaram a história da fé católica tinham especial devoção a São José.
Imagine a grandeza de um santo, que é exemplo e referência para tantos outros?! Entre os mais conhecidos, que deixaram relatos, testemunhos e diversas pregações públicas estão São Leonardo de Porto Maurício, São Francisco de Sales, São Bernardinho de Sena, entre outros.
Uma santa muito popular e que tinha São José como exemplo e referência é Santa Teresa Ávila, considerada a Doutora da Igreja. Inclusive, ela atribuiu ao Glorioso Patriarca, a cura de uma grave doença.
Como prova de gratidão ao “pai de sua alma” e pela serva fiel que era, Santa Teresa fundou mosteiros dedicados a São José e colocou imagens do santo em todos os carmelos.
Em função disso, a santa teve um papel importante para popularizar e difundir a imagem do santo mundo afora.
Leia também: Significado e origem da imagem de São José
Formas de devoção
Diversas são as formas de devoção difundidas pela tradição católica ao longo dos séculos. Entre elas, podemos dar destaque ao cordão de São José, que foi usado pela primeira vez por uma irmã agostiniana chamada Isabel Sillevorts. Ela era devota fervorosa do santo e vivia em um convento na Bélgica, no século XVII.
Segundo a tradição, ao sofrer de uma grave enfermidade renal, a religiosa pegou um cordão e pediu a um padre para benzer o objeto, amarrando-o na cintura, como uma referência às vestimentas que o santo usava. Feito isso, iniciou uma intensa novena dedicada a São José e meses depois foi curada da doença.
O caso ganhou uma grande repercussão na época e seu uso foi difundido mundo afora, através dos séculos, chegando até nós.
E como usar o cordão de São José?! O objeto de devoção precisa ser benzido por um sacerdote e conter sete nós, podendo ser usado na cintura, no pulso, colocado em cima de alguma enfermidade do corpo ou, até mesmo, guardado em objetos pessoais, como forma de proteção.
Os sete nós do cordão fazem alusão às sete dores e sete alegrias de São José, que são lembradas pela Igreja Católica nos sete domingos anteriores à Festa de São José, comemorada no dia 19 de março.
Outra devoção popular diz respeito a um manto usado por José, que estaria guardado na antiga igreja de Santa Anastácia, localizada em Roma (Itália). Essa história é descrita no livro A vida e as glórias de São José, escrito no século XIX. Estima-se que São Jerônimo teria celebrado uma missa no local onde a relíquia sagrada está guardada.
A história não é oficial, mas ela faz referência ao manto real utilizado por São José para acolher e proteger Jesus, quando era ainda um bebê. Devido a esse fato, os sacerdotes, seguindo a tradição, abençoam os mantos levados pelos fiéis, rito que é adotado nos dias atuais.
Conta a tradição que, após bento, tudo o que o devoto colocar abaixo do manto também será abençoado abundantemente pelo santo.
Maior santuário do mundo
Você sabia que, além de todas as referências mencionadas, São José é patrono de todo o continente americano, além de 10 países?! São eles, em ordem alfabética: América, Canadá, China, Croácia, México, Coréia, Áustria, Bélgica, Peru, Filipinas e Vietnã.
De todos os países mencionados, é no Canadá onde está localizado o maior santuário dedicado a São José no mundo, com capacidade total para 10 mil pessoas. O local também é considerado a maior igreja do país canadense.
Situado em Montreal, o Oratório de São José foi fundado pelo irmão André Bessette, da Congregação da Santa Cruz, em 1904. O religioso, fiel devoto do pai adotivo de Jesus, foi declarado santo pelo papa emérito Bento XVI no dia 17 de outubro de 2010.
Por ter o dom da cura, o irmão, por intermédio de São José, teria operado diversos milagres. Humilde e sereno, ele sempre recomendava às pessoas a oração constante e o culto ao santo.
Apesar da fundação em 1904, a construção do santuário só foi concluída no ano de 1924. Seu santo fundador faleceu, de acordo com os registros históricos, em 1937, e cerca de 1 milhão de pessoas assistiram ao velório.
Patrono da boa morteSão José ainda é considerado o patrono da boa morte. Mas, por qual razão teria esse título?! Conta a tradição que o santo teria morrido na companhia de Jesus e Maria. Diante desse cenário sereno e misericordioso, com a acolhida do nosso Senhor e da mãe de Deus, que José viveu a sua Páscoa.
Que possamos, em vida, construir nossa ponte para o céu e rogar a São José a intercessão por uma boa morte.
Ide a José
A expressão tirada do Antigo Testamento, citada em (Gn 41,55), mostra a frase do faraó ao povo: Ide a José.
A autoridade egípcia se referia a José, filho de Israel, governador do Egito. Ele foi promovido ao posto real por ter o dom de interpretar sonhos.
Esse dom, concedido por Deus, o libertou da escravidão, quando foi o único capaz de compreender os sonhos do faraó, que sugeriam tempos de fome e dificuldade.
Precavido, ele reservou comida durante os anos de abundância e, assim, salvou o povo egípcio da pobreza e da fome nos tempos de seca. Tamanha era a fartura, que povos de outras regiões deslocavam-se até o país para pedir ajuda.
Dessa forma, José do Egito é um prenúncio daquele homem que Deus escolheu, séculos depois, para ser o pai adotivo do seu filho Jesus e ter um papel fundamental na história da salvação.
Fazendo uma comparação entre os dois Josés, assim como o personagem de Gênesis protegeu todo o seu povo, guardando o trigo, José de Nazaré, como afirma São Bernardo, “recebeu o Pão Vivo do céu para guardá-lo para si e para o mundo inteiro”.
De Deus, José de Nazaré recebeu os dons mais sublimes: o dom do castíssimo matrimônio com a Virgem Maria, Mãe de Deus e Nossa, e a paternidade do Verbo Encarnado, o Filho de Deus, Jesus Cristo.
Ide a São José, portanto, é um convite a todos nós: por meio do santo, chegamos ao Senhor. Sua intercessão nos aproxima da misericórdia de Deus e da proteção de Maria. Que tenhamos em São José o caminho para construir um reino de amor e paz para toda a humanidade.
Evangelho
É importante destacar que dois livros da Sagrada Escritura ajudam a compreender a história de São José: o Evangelho de Mateus, que conta a perspectiva do pai adotivo de Jesus e o Evangelho de Lucas, que narra a história a partir do olhar de Maria. Uma singela citação também aparece no Evangelho de São João.
Provavelmente, José teria morrido antes de Jesus iniciar sua vida pública, sendo este o motivo pelo qual o santo não é mencionado posteriormente na Bíblia. Porém, São José deixou com o Filho de Deus todos os seus fecundos ensinamentos e, assim, Jesus carregou em toda a sua vida, o exemplo de seu virtuoso pai terreno.
Que aprendamos com São José a santificar nossa vida diária!
Oração a São José
Diversas são as orações, novenas e terços dedicados a São José. Separamos, abaixo, uma das orações que rogam a intercessão do protetor das famílias:
Lembrai-vos, ó glorioso São José, puríssimo esposo da Virgem Maria e doce protetor nosso, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado a vossa proteção, implorado o vosso socorro e não fosse por vós consolado e atendido.
Com esta confiança venho a vossa presença (faça o seu pedido). Não desprezeis a minha súplica, ó pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos acolher piedosamente.
Assim seja.
Rezar: 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e fazer o Sinal da Cruz.
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