Como usar a medalha de São Bento?

05.Julho.2022
 

Esse objeto sagrado não é um amuleto da sorte, mas um sacramental, ou seja, um símbolo de devoção autorizado pela Igreja Católica, que traz consigo proteção espiritual. Agora que você conhece o significado das imagens e da sequência de letras descritas no objeto, fica uma pergunta: como usar a medalha de São Bento?


Antes de mais nada, recomenda-se que o sacramental seja benzido por um sacerdote. Isso significa que a graça de Deus será manifestada por meio deste gesto do padre, de dar a benção. Dessa forma, o objeto bento, usado com fé e sabedoria, traz proteção celestial.


Tamanho é o poder de proteção dos objetos devocionais, que alguns santos tinham a sensibilidade espiritual de saber se já estavam ou não bentos. São Pio de Pietrelcina ,por exemplo, conseguia discernir quando uma medalinha já estava benzida, conforme relato de pessoas que conviveram com ele.


Nos mosteiros beneditinos, por exemplo, há um costume de abençoar as medalhas, após a missa dominical, diante do altar de São Bento, com aspersão de água benta. Essa mesma benção costuma ser concedida na data em que o santo é celebrado. 


Bastante popular, a Medalha de São Bento pode ser encontrada em pingentes, estampas de blusas, moletons, chinelos, camisetas, baby looks, adornos para proteção de residências e carros e até mesmo em outros acessórios, como cintos, máscaras e carteiras.


O sacramental utilizado nos tempos atuais surgiu no ano de 1880, no contexto de comemoração do 14º centenário de nascimento de São Bento. Ela foi encomendada aos monges artistas beuronenses e, também, cunhada e distribuída pela Abadia de Monte Cassino, na Itália.


A Medalha é usada para invocar a santa cruz e a proteção contra todos os males. Também pode ser utilizada nas partes enfermas do corpo, para curar contra doenças, envenenamentos e a oração em latim contida no objeto devocional é usada para exorcismos.


E como saber se o objeto é verdadeiro?! É obrigatório que a Medalha contenha, em um dos lados a efígie de São Bento e, no outro, a cruz com as iniciais da oração em latim, como abordamos no artigo O significado da Medalha de São Bento.


Uso da medalha e evangelização


A cruz sagrada seja minha luz! Essa é uma das frases contidas na Medalha de São Bento, que contém uma poderosa oração exorcística capaz de proteger os católicos contra todos os males.


Usar uma medalha tão digna no pescoço ou estampá-la na sua roupa favorita é uma forma genuína de evangelização, pois dá visibilidade à palavra de Deus. É uma graça que traz consigo uma responsabilidade, pois exige uma postura de oração e entrega diária à proposta do Evangelho, tendo em São Bento um exemplo a ser seguido.


Meditar toda a oração contida na Medalha, ir à missa e promover ações de caridade são caminhos para uma experiência sólida e madura na fé. Dessa forma, o sacramental será usado da maneira como merece, ou seja, através de uma profunda imersão espiritual.


Benção da Medalha


Para a Medalha de São Bento há uma benção específica, de exorcismo da própria Medalha, que pode ser concedida por qualquer sacerdote (podendo ser um monge beneditino ou não).


A Benção contém a seguinte oração, que é replicada em diversos sites e portais católicos. O modelo abaixo foi replicado do site do padre Reginaldo Manzotti:


– Exorcizo-te, Medalha, por Deus Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que contêm.


Todas as forças malignas e todos os exércitos diabólicos, com todos os seus poderes e persuasões sejam afugentados e extirpados por meio da fé e do uso desta Medalha, a fim de que todos os que a usam tenham saúde de corpo e de espírito: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


 – Ouvi, Senhor, a minha oração.


– E chegue a vós o meu clamor.


– O Senhor esteja convosco.


– E com o teu espírito.


 Pai Nosso…


 Oremos.


 Deus eterno e todo-poderoso, pela intercessão de Nosso Pai São Bento, vos suplicamos: seja esta Sacra Medalha com suas inscrições e caracteres abençoada por Vós, a fim de que seus portadores, movidos pela fé, possam realizar boas obras, obter santidade de corpo e de alma, receber a graça da santificação e as indulgências concedidas, ter o vosso auxílio para afugentar o maligno com suas fraudes e ciladas e um dia comparecer à vossa presença santos e imaculados. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Curiosidades


Apesar de a origem da medalha ser desconhecida, alguns pesquisadores consideram que ela passou a ser usada no século XII. Uma informação interessante é que o termo medalha foi utilizado posteriormente e, em um primeiro momento, o objeto foi difundido como Cruz de São Bento, já que o religioso tinha o costume de fazer o sinal da cruz várias vezes ao dia.


A Medalha foi aprovada pela Santa Sé em 1742 pelo Papa Bento XIV e a autorização inicial para abençoar, exorcizar e distribuir os objetos de devoção foi concedida a Dom Bennon Lobl, abade do Mosteiro de Santa Margarida de Praga, e seus monges.


 Desde então, a Medalha passou a ser difundida na Europa, inicialmente, e depois com mais força na Alemanha, França e nos demais países.


Um santo que ajudou a difundir a Medalha foi São Vicente de Paulo, como observa o autor do livro A poderosíssima medalha de São Bento, João Baptista Barbosa Neto.


O antigo hábito usado pelas Filhas da Caridade, companhia fundada pelo santo, trazia um rosário com a medalha beneditina, que ficava pendurado na cintura. A análise do autor é que provavelmente o elemento foi inserido pelo próprio São Vicente, entregando as irmãs a sua proteção.


No Brasil, é possível ver as medalhas representadas nas construções das igrejas. Na Basílica do Mosteiro de São Bento, em São Paulo, por exemplo, diversas medalhas, em diversos tamanhos, adornam e embelezam a igreja, que resgata toda a história do fundador da Ordem Beneditina.


Orações a São Bento


Podemos encontrar diversas orações alusivas a São Bento. Por utilizar o sinal da cruz para se proteger contra o mal, ele ficou conhecido como um poderoso exorcista. Na cultura popular, o santo é bastante invocado para proteger contra animais peçonhentos, já que, muitas vezes, ele é representado com uma taça em uma das mãos, da onde sai uma serpente.


São Bento também intercede contra calúnias, difamações e a inveja, sendo um sinal da luz de Cristo em momentos de provação.


Abaixo, partilhamos as orações mais conhecidas, que podem ser acompanhadas do Credo, Pai Nosso, Ave, Maria e Glória ao Pai, como recomenda o livro Devocionário e Novena de São Bento: pelo sinal da cruz todo mal será derrotado.


A mais divulgada é a oração contida na medalha. Traduzida do latim para o português, significa: “A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebes tu mesmo os teus venenos!”


Para pedir intercessão do santo: “Ó Deus, Vós que Vos dignastes derramar sobre o bem-aventurado confessor, o Patriarca, o espírito de todos os justos, concedei a nós, Vossos servos e servas, a graça de nos revestirmos desse mesmo Espírito, para que possamos, com o Vosso auxílio, fielmente cumprir o que temos prometido. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém!”


Para alcançar uma graça: “Ó glorioso São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados dignais que também nós, recorrendo a vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições. Que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; afastem-se todas as desgraças, tanto corporais como espirituais, especialmente, o pecado, percorrendo, com empenho, os mandamentos sagrados. Alcançai do senhor a graça que vos suplicamos (fazer pedido), obtendo-nos finalmente que, ao terminar nossa vida neste vale de lágrimas, possamos louvar a Deus. Amém!


A fim de pedir proteção contra animais peçonhentos, é possível encontrar na literatura uma oração breve e poética: “de todo bicho peçonhento, livrai-nos São Bento. Amém”.


Contra a inveja é recomendada a seguinte oração, também rica em rimas e poesia: São Bento, na água benta; Jesus Cristo, no altar; quem estiver no meio do caminho se arrede e deixe eu passar. A cada salto, a cada descuido, São Bento na água benta; Jesus Cristo no altar; quem estiver no meio do caminho se arrede e deixe eu passar. Pois creio em Jesus e em seus santos que nada me ofenderá, a mim, à minha família e a tudo que eu criar. Amém.

 

 

História e legado de São Bento


As primeiras informações sobre a trajetória biográfica do santo são encontradas nos registros deixados por São Gregório Magno, que foi papa de 590 a 604 e, também, Doutor da Igreja. Ele apurou as informações para a biografia, através de entrevistas com pessoas que conviveram com o monge beneditino.


De acordo com seu biógrafo, São Bento nasceu na cidade italiana de Núrsia, na região da Úmbria, no ano de 480 do século V, depois de Cristo, no contexto da Idade Média. Oriundo de uma família rica, ele estudou Humanidades em Roma, aos 13 anos, mas decide abandonar tudo para seguir a vida religiosa.


Na companhia de uma governanta, ele segue para aldeia de Alfilo, interior da Itália, e nesse local um fato bem peculiar marca o início da sua vocação. Ao rezar e recolher pedaços de uma vasilha que havia caído no chão, o objeto se recompõe, sem deixar, ao menos, uma rachadura.


Sua santidade passou a ser admirada desde então e a partir deste acontecimento, muitas pessoas passaram a segui-lo. São Bento, então, foge do local, abandona sua governanta e com a ajuda de um monge inicia uma caminhada solitária e silenciosa dedicada à oração.


No ano de 505, ele vai para Subiaco, onde permaneceu por três anos, vivendo em uma gruta, como eremita. Neste local foi construído, posteriormente, no século XI, o Mosteiro de São Bento, em sua homenagem, situado junto à rocha.


Passado esse tempo de isolamento, o religioso parte, novamente, só que dessa vez para uma experiência de vida comunitária. Aos 30 anos de idade, torna-se líder de uma colônia onde viviam alguns monges, mas sofre uma tentativa de envenenamento por parte de alguns colegas que não concordavam com suas regras.


Ao estender as mãos para benzer o cálice, o objeto quebra, sugerindo que o vinho continha veneno. O religioso, então, deixa aquela comunidade, retorna a Subiaco e se junta a novos monges comprometidos com a mensagem do Evangelho. No local, sofre novamente outra tentativa de envenenamento, só que dessa vez sem êxito, por parte de um padre, que invejava sua popularidade.


O sacerdote lhe enviou um pão envenenado e desconfiando do presente, o santo fez uma poderosa oração e, naquele momento, apareceu um corvo. Ao perceber o livramento divino, ele ordenou à ave para retirar aquele alimento dali, afastando-o de qualquer pessoa ou animal que pudesse comê-lo e assim aconteceu.


O santo abandona o local e, por volta de 529, funda, na Itália, o famoso Mosteiro Monte Cassino, situado no caminho entre Roma e Nápoles, o primeiro da Ordem Beneditina. Cinco anos depois escreve uma obra fundamental, que foi um marco para sua vida religiosa e para toda a Ordem: a Regra de São Bento.


Composto por 73 capítulos, o documento é um itinerário espiritual, que aponta caminhos de conversão, humildade e obediência a Deus. Por meio da Regra, o monge pregava um equilíbrio entre o trabalho, o serviço religioso e o estudo.


Essa obra foi tão exitosa que, a partir do século IX, tornou-se obrigatória em todos os mosteiros durante o império de Luís I, filho de Carlos Magno. Apreciada pela Filosofia, a Regra do santo é também considerada um marco civilizatório, ou seja, um modelo de organização social e política, sendo comparada ao modelo de polis idealizada por Platão. 


Estima-se que 12 mosteiros beneditinos foram fundados pelo santo ao longo da sua vida e deles saíram vários nomes importantes para a Igreja Católica em todo o mundo. Os dados a seguir dão uma ideia sobre o legado de São Bento para a história.


Oriundos da sua Ordem, que é a mais antiga da Igreja, temos 23 papas, 5 mil bispos e 3 mil santos canonizados, conforme registros do martirológico romano monástico.


Atualmente, cerca de 25 mil monges beneditinos, entre homens e mulheres, vivem nas comunidades dedicadas ao recolhimento e à oração. Além dos religiosos, há um número considerável de leigos e leigas dedicados a divulgar a devoção a São Bento mundo afora. Essa missão é desempenhada pelos oblatos e oblatas beneditinos.


Um fato curioso envolvendo seu falecimento é que na semana anterior, há exatos seis dias da sua morte, São Bento pressentiu o seu encontro com Deus e pediu para que preparassem sua sepultura. E assim aconteceu.


Ele morreu aos 67 anos em Monte Cassino, de pé, no oratório dedicado a São João Batista, que ele construiu dentro do mosteiro, após fazer uma oração, no dia 21 de março de 547, depois de Cristo.


Em 1964, o Papa Paulo VI reconheceu o santo como Patrono da Europa, em função do trabalho e influência da evangelização beneditina por todo o continente.


Sua festa litúrgica é celebrada no dia 11 de julho.


Irmão gêmeo de Santa Escolástica

Uma informação que nem todos conhecem é que Bento de Núrsia tinha uma irmã gêmea, que também era santa: seu nome era Escolástica e ela foi a primeira monja beneditina. Isso mostra o protagonismo da religiosa para dar impulso ao segmento feminino da Ordem Beneditina mundo afora.


Apesar dos poucos registros biográficos alusivos a ela, São Gregório Magno traz uma assertiva reflexão sobre Escolástica. “Foi uma dócil aluna de Bento, do qual recebeu a sabedoria do coração, a ponto de superar seu mestre”, descreveu o biógrafo.


Foi ela quem fundou o Mosteiro Piumarola, situado próximo ao Mosteiro Monte Cassino, onde seguia a Regra de São Bento.


Além de partilharem a mesma origem genética, pertencerem à mesma congregação e dedicarem suas vidas à mensagem do Evangelho, os irmãos estiveram unidos até na hora da morte.


São Gregório Magno relata na biografia do santo que São Bento teve a visão de uma pomba branca, que subia ao céu.  Foi uma revelação sobre a partida de Santa Escolástica para o Reino de Deus.  O irmão a enterrou na mesma sepultura que mandou fazer para si mesmo e, pouco tempo depois, também faleceu, como relatamos anteriormente.


O Dia de Santa Escolástica é celebrado pela Igreja Católica no dia 10 de fevereiro.


Ordem de São Bento no Brasil


De acordo com João Baptista Barbosa Neto, autor do livro A poderosíssima Medalha de São Bento, a Ordem Beneditina foi uma das primeiras a serem estabelecidas no Brasil, já que os primeiros registros são oriundos do século XVI, quando o país era colônia lusa.


O primeiro mosteiro dedicado a São Bento foi construído em Salvador, na Bahia, em 1582 por monges portugueses. Os próximos foram fundados, na sequência, em Olinda (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).


Já as monjas beneditinas vieram ao País no século XX, em 1911, quando fundaram um mosteiro na capital paulista, atualmente conhecido como Abadia de Santa Maria.


Lições


Também é de São Gregório umas das definições mais sábias e certeiras sobre a trajetória e santidade de Bento de Núrsia, afinal um santo reconhece a alma do outro. Em sua reflexão, que abre a biografia do monge, ele escreveu: “houve um homem de vida venerável, Bento pela graça e pelo nome, que desde a infância tinha o coração adulto”.


Essa maturidade observada pelo Doutor da Igreja acompanhou Bento em toda sua trajetória. Seu desprendimento e liberdade em Cristo nos recorda São Francisco de Assis. Assim como o santo franciscano, ele também deixou uma vida de privilégios e luxo para se dedicar ao Evangelho. Ambos escutaram o chamado de Deus e foram fiéis à sua verdadeira vocação, até o fim.


Um dos principais ensinamentos que aprendemos com o monge beneditino é a sua postura de oração. Quanto mais rezamos, mais estamos próximos de Deus e quem se aproxima do Criador mal nenhum poderá atingir.


Por isso, o santo recorria, tantas vezes, a Jesus, fazendo o sinal da cruz e com esse gesto genuíno operou milagres, por intermédio da graça divina, salvou a própria vida e afastou perto de si todos os perigos físicos e espirituais.


Confirmando esse poder da santa cruz, trazemos uma reflexão contemporânea do papa Francisco, “a cruz de Jesus é a nossa única e verdadeira esperança”.


Pelo olhar de diversos teólogos, São Bento também é comparado a Abraão, em função da rica descendência que deixou, ao fundar a Ordem Beneditina e dela terem saído papas, santos, monges e tantos leigos dedicados à mensagem do Evangelho; a São José, pela sua pureza de coração e obediência a Deus e, também, a Jacó, pelo conhecimento do futuro.


A Regra Beneditina, uma das maiores heranças espirituais deixadas pelo santo, foi adotada por muitos monges e marcou a conduta da vida monástica ocidental. Em função dessa influência, ele também foi eleito como o patriarca dos monges do Ocidente.


Que a última prece contida no poema entoado nos mosteiros beneditinos possa florescer em nossos corações uma devoção sólida e autêntica: “que São Bento possa nos fazer chegar às alegrias do Cristo que vive para sempre, amém”.


São Bento, rogai por nós.

 

 

 

 

 

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Fotógrafo - Vitral no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Foto: Luiz Paulo Marques de Souza /Reprodução

 
 
 
 
 
 
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