Por que fazemos penitência na Quaresma?
20.Março.2019

O hábito de fazer penitência durante o período quaresmal é bastante consolidado na Igreja desde os primórdios.
De acordo com a Doutrina Católica, através do jejum é possível se manter mais forte contra os pecados. A prática das penitências em geral tem o sentido de nos fortalecer, de nos trazer de volta à Deus fazendo com que nos libertemos dos vícios, dos exageros e nos concentremos apenas em Deus e na busca pela santidade para um dia entrarmos na vida eterna.
Quando vivemos uma vida desregrada, sem equilíbrio, nos abrimos ao pecado, nos tornamos vulneráveis. Mas quando praticamos o jejum e as penitências criamos “resistência” e fortalecemos o autocontrole, este, necessário para evitar os pecados que insistentemente nos rondam todo tempo.
“O quarto mandamento (‘Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja’) determina os tempos de ascese e penitência, que nos preparam para as festas litúrgicas e contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração” (CIC § 2043).
Ao colocar um propósito maior à frente, fica mais fácil cumprir a penitência a que nos propomos. Por exemplo, durante a quaresma principalmente, a penitência não deve ser feita apenas por ela mesma, mas por um propósito... Deixar de comer chocolate é um passo, mas o propósito é deixar de consumi-lo e doá-lo para alguém que nunca comeu ou não tem condições de comprar. Ou ainda abster-se de carne em forma de mortificação, de solidariedade, pela paz no mundo. É seguir o exemplo de Jesus, que doou sua vida em prol da nossa salvação.
É deixar de fazer algo ou fazer algum esforço em prol de um bem maior, para o mundo ou para a realidade de alguém. A intenção do nosso coração chega até Deus.

Essa atitude e conscientização são essenciais para uma vida de santidade. E todo cristão católico deve tentar sempre buscar alternativas para praticar a caridade acima de tudo.
Importante: muitos cristãos confundem a prática da penitência e do jejum com promessas. É bom lembrar que é preciso ser muito cauteloso ao pensar em fazer uma promessa a Deus e ter em mente que independentemente do que for prometido, Deus não se condiciona àquilo que desejamos, pois somente Ele sabe o que é melhor para nós. Então, Deus não está ali para satisfazer os nossos desejos ou ser “chantageado”, não se pode utilizar de uma boa ação como moeda de troca com Deus, pois nossa relação com Deus não se trata de um mero comércio ou acordo, mas sim de confiança na Sua providência e Seus planos. É possível prometer algo a Deus, mas é preciso que, ao prometer, se cumpra aquilo a que se propusera. É preciso estar atento a condutas comumente praticadas culturalmente sem a luz do entendimento de como devem ser conduzidas.
“Em várias circunstâncias, o cristão é convidado a fazer promessas a Deus. Por devoção pessoal, o cristão pode também prometer a Ele este ou aquele ato, oração, esmola, peregrinação etc. A fidelidade às promessas feitas ao Senhor é uma manifestação do respeito devido à majestade divina e do amor para com o Deus fiel” (CIC § 2101).
No caso ainda da penitência quaresmal, a escritura e os padres insistem principalmente em realizá-la de três formas, por meio de jejum, da oração e da esmola. O objetivo principal é a reaproximação de Deus, a conversão, a restauração, a reconciliação com Ele e com os irmãos.

E justamente no tempo quaresmal temos essa oportunidade ainda mais evidente, pois toda a Igreja realiza simultaneamente o mesmo movimento, de interiorização e revisão das atitudes a fim de buscar o perdão de Deus.
É certo que para fazer essa caminhada é necessário em primeiro lugar querer reconciliar-se com Deus e com o irmão, em segundo lugar buscar olhar para suas próprias atitudes e condutas à luz do Espírito Santo e dos 10 mandamentos, para assim identificar os pecados. E, em terceiro lugar, buscar o Sacramento da Confissão, que está à nossa disposição todo tempo, pois Deus está sempre à espera da nossa volta, Ele só precisa que reconheçamos nossos erros e busquemos Seu perdão. Em quarto lugar, realizar a prática do jejum e da penitência que nos ajudam a não cair mais no pecado e nos manter fortalecidos e próximos a Deus.
Essa jornada nos faz humildes e tementes a Deus, nos torna servos e nos coloca à disposição da vontade do Senhor em nossas vidas, por simplesmente expressarmos total e plena confiança n’Ele. Por isso que é tão importante compreender essas práticas para que elas tenham verdadeiro sentido e efeito na espiritualidade de cada um, e não sejam somente uma obrigação ou tradição do tempo quaresmal.

Que vivamos um tempo quaresmal restaurador e possamos neste período, por meio da penitência e do jejum, nos reconciliarmos com Deus e os irmãos a fim de recomeçar a caminhada e dar início à uma vida renovada pelo Espírito Santo.



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